Tal como a gastronomia japonesa, que varia dentro do mesmo produto,  os automóveis com raízes naquele país oferecem performances  distintas dentro da imagem de fiabilidade e robustez. A chegada do Mazda 3 1.5 Skyactiv-D motivou o confronto com outros dois alunos da escola japonesa.

Depois de em 2013 o Mazda 3 ter convencido a critica e o público, sendo uma das revelações do ano, mesmo com um só motor a gasolina, eis que chega aos concessionários finalmente equipado com o motor Skyactiv-D, a gasóleo, com 105 cv. Mais do que um segmento C Diesel, este 3 1.5D assume-se como uma importante arma para a Mazda conseguir conquistar um dos mercados mais importantes da Europa, o dos pequenos familiares. O 3 quer assentar alicerces, cativando um público jovem, que se deixe seduzir pela agressividade e pela indução desportiva das linhas do 3. Sob o capot, o trunfo que já havíamos mencionado: o motor Diesel 1.5 com 270 Nm disponíveis logo às 1600 rpm. É poupado e enérgico q.b., mas já lá vamos. A unidade ensaiada é uma Excellence Navi, dotada de uma lista de equipamento muito competitiva, cujo preço arranca nos 27 350 euros. Confiando nestes atributos, o Mazda enfrenta dois rivais japoneses de peso já com tradição no segmento. Serão os argumentos do 3 Diesel suficientes para levar de vencida a batalha contra Honda Civic 1.6 i-DTEC e Toyota Auris 1.4 D-4D?

O Toyota Auris surge no nível Comfort com a oferta do Pack Sport e a adição da pintura metalizada (410 euros) e conta com o comprovadíssimo 1.4 D-4D de 90 cv que partilha com a carrinha Auris e com o Yaris. O Honda Civic leva muito a sério a questão familiar, como veremos adiante, e é o que impõe a maior “musculatura”, já que o 1.6 i-DTEC de 120 cv se assume como o mais potente dos três nesta contenda.

Seguros e garantidos

No primeiro item pontuado, o da segurança, todos contam com os habituais e obrigatórios seis airbags, ESP e controlo de tração. O Mazda junta a estes o assistente de travagem em cidade, saindo vencedor.

Na “Garantia”, sendo todos japoneses e como é apanágio das marcas daquele país, o mínimo são os três anos que o Mazda propõe ao cliente. O Civic tem os mesmos três anos aos quais adiciona um período suplementar de dois anos sem qualquer limite de quilómetros. O Toyota disponibiliza, desde a compra, cinco anos de garantia ou 160 mil km, ganhando um ligeiro ascendente.

Na bagageira, se por um lado, os 364 litros do Mazda e os 360 litros do Toyota quedam-se pela mediana, o Honda não deixa os créditos por mãos alheias e disponibiliza um volume de... 477 litros. Sim, leu bem. A mala é gigante e o espaço disponibilizado encontra-se compartimentado. Tem o melhor acesso. No 3, o acesso não convence, pois o vão está um pouco mais elevado que o desejado. Perde-se alguma funcionalidade para se ganhar em... estilo. Curiosamente, na habitabilidade, Mazda e Toyota suplantam o Civic. O Auris é o que disponibiliza mais espaço para pernas atrás e é também o mais largo. O Honda é o mais baixo, por culpa da curva descendente da linha do tejadilho, tem o mesmo espaço para pernas atrás que o Mazda, mas é o mais estreito. Já na versatilidade, o 3 desilude pelas pequenas bolsas nas portas que nem uma carteira comportam. O Auris é muito equilibrado nesta matéria, com espaços múltiplos para todos os gostos. Já o Civic é o mais versátil. Não pela quantidade e diversidade dos espaços para guardar objetos, mas pela funcionalidade proposta pelos bancos traseiros mágicos, que permitem levantar o assento para transportar, por exemplo, objetos mais altos, ou rebater as costas, que ficam ao nível do piso da bagageira.

Comparando as listas de equipamento e tendo em conta as versões já mencionadas em cima, os três são equiparáveis. Não falta o ar condicionado automático, os sensores de estacionamento com a respetiva câmara de visionamento traseiro (muito útil no Honda já que a visibilidade para trás é má), o cruise control, entre outros. O Civic não contempla sistema de navegação e o Mazda é o único que oferece de série o projetor de informação no para-brisas (vulgo head-up display), o acesso e arranque mãos livre e os faróis bixénon. Mazda e Honda contemplam ainda os bancos dianteiros aquecidos.

A avaliar a qualidade, importa dizer que o rigor japonês é bem evidente na forma como os painéis estão montados, sem quaisquer folgas. Nos três os revestimentos macios são exaustivos e a solidez domina, sendo que, neste capítulo é difícil destacar um deles.

1.6 do Honda destaca-se

Pela cidade, o Civic é o mais ágil. O motor tem boa disponibilidade em baixo regime, mas o 1.6 i-DTEC já começa a acusar o peso dos anos, sendo o mais ruidoso. Neste particular, o Auris é muito refinado e sedoso. A insonorização é excelente e o próprio motor é contido no ruído. A caixa é de uma suavidade que merece uma menção honrosa e a direção tem o peso certo. O novo 1.5D do Mazda é também um propulsor em destaque. Na prática é um motor dócil e solícito, eficiente e refinado, mas não é preciso olhar para as medições do Autohoje para perceber que o 1.4 de 90 cv do Auris, mesmo só com 205 Nm de binário, não lhe fica atrás, perdendo nos 0 aos 100 km/h por décimas de segundo e sendo superior em alguns pontos da aceleração. E por culpa de uma caixa de velocidades bem escalonada e de relações curtas, consegue suplantar o Toyota nas recuperações.

O Honda, mais potente e com um binário superior, rubrica os melhores valores nas acelerações, e recupera de forma mais célere. 

Por traçados sinuosos, o 3 é o mais “certinho”. Não fascina, até porque toda a ação é um pouco artificial e o condutor não percebe ao detalhe a informação que lhe chega, mas a verdade é que, também raramente este é chamado a intervir, existindo sempre elevada aderência, até porque é o único calçado com jantes e pneus de 18”. O Auris tem uma direção amplamente melhor e consegue uma ação dinâmica rigorosa e segura. Não se equipara ao 3, porque o controlo de estabilidade, apesar de permissivo, é mais castrador da diversão em toadas de maior provocação que o do Mazda. O Honda também não desilude, até porque é previsível, mas é mais limitado do que os rivais e sofre de algumas perdas de tração. A direção, por tão direta, “assusta” em curvas prolongadas realizadas a velocidades mais elevadas. Em curva, desobedece um pouco à trajetória, sem que o ritmo seja excessivo, saindo um pouco de frente e ouvindo-se os pneus a chiar...

Saber escolher

No momento de avaliar a questão do preço, registe-se o facto de serem os três muito idênticos. Tem a ver com o equilíbrio que encontramos entre os níveis de equipamento. Neste caso, a opção de escolha vai recair no preferido ou na tradição lá de casa, uma vez que se tratam de três marcas que baseiam grande parte das suas vendas nessa “herança”. Outro capítulo que pode fazer mudar a escolha tem a ver com as campanhas em vigor. Nos três casos existem várias e muito competitivas.

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