O Insignia tem dado provas de ser um excelente automóvel familiar. Agora, é a vez de se afirmar como um desportivo com créditos firmados. Com 325 cv e transmissão integral, o Insignia Opc mostra que a divisão desportiva da opel está em alta!




Há quem defenda que a primeira impressão que se tem de alguém é a que mais conta. Se isto se aplicar aos automóveis, então o Insignia OPC tem um futuro promissor. O carro é lindo. Vamos esquecer, por momentos, que emite 268 g/km de CO2, que só bebe gasolina com 98 octanas e que dificilmente há-de registar menos de 15 l/100 km...

Aquela frente é um atestado de poder. Os designers fazem uma alusão ao Tigre Dentes-de-Sabre, um enorme felino já extinto que era conhecido pelas suas enormes presas, e a verdade é que os outros condutores rapidamente lhe desimpedem o caminho, não vão eles ser mordidos… E agora, pense bem nisto: por 58 mil euros, pode ter na sua garagem um automóvel com 325 cv, transmissão integral com gestão electrónica, amortecimento pilotado, faróis inteligentes, bancos Recaro, travões Brembo e um comportamento de fazer inveja a muitos desportivos. Para nós, que gostamos de condução, parece ser um bom negócio.

TÉCNICA APURADA
Ao debitar 325 cv, o Insignia OPC é o modelo mais potente de sempre que a marca alemã já lançou para a estrada – é certo que o Lotus Omega tinha 382 cv, mas tinha tanta intervenção da marca britânica que acabava por ser mais Lotus que Opel...
O motor é o mesmo do Insignia 2.8 V6 Turbo, mas as alterações implementadas na gestão electrónica, o aumento da pressão do turbo para 0,9 bar e a aplicação de uma linha de escape Remus, que reduz a contra-pressão em 50 %, resultam num aumento de 65 cv.

Esta última modificação é das que confere mais carácter ao OPC. Em qualquer momento, o Insignia tem um vozeirão que impõe respeito: a frio, o motor estabiliza nas 1600 rpm e emite um fenomenal ronco abafado; em desaceleração, ouvimo-lo a «enrolar» como um cantor que limpa a garganta antes de passar ao tema seguinte; em aceleração, muda de tom às 4500 rpm para lhe dizer que é a partir dali que tem acesso à verdadeira performance OPC.
Ao basear-se no Insignia 2.8 V6 Turbo, o OPC herda o esquema 4x4 com embraiagem Haldex electro-hidráulica, mas substitui o diferencial traseiro livre por um autoblocante electrónico. O objectivo deste componente é incrementar a agilidade do Insignia em curva, aplicando binário na roda traseira exterior.

Ainda no domínio técnico, o OPC tem a suspensão rebaixada em 10 mm face à das versões Sport e recorre ao amortecimento pilotado FlexRide, agora com leis de actuação mais dadas à firmeza. O condutor pode ainda seleccionar o modo OPC, que torna o Insignia mais reactivo à direcção, fiel a transmitir as irregularidades do terreno e menos propenso à inclinação em curva.

Contudo, a alteração de maior relevo foi levada a cabo na suspensão dianteira, com a aplicação de uma articulação entre a torre MacPherson e o cubo da roda. Designada por Hiperstrut, dá um guiamento mais rigoroso às rodas dianteiras e, em combinação com as mangas de eixo mais curtas, imuniza a coluna de direcção dos efeitos nocivos do binário-motor. Na prática, reduz a «luta» com o volante quando se acelera em curva.

E para que todas as rectas acabem em bem, os técnicos da OPC acharam por bem recorrer aos serviços da Brembo, que concebeu um sistema de travagem com maxilas dianteiras de quatro pistões, as quais mordem o aço dos discos perfurados com pastilhas que, de acordo com a marca alemã, são de elevada performance. Com a aplicação de alumínio nas maxilas e nos cubos das rodas, a Opel anuncia uma redução de 1,4 kg de peso não suspenso por cada roda dianteira.

AUSTERIDADE GERMÂNICA
O ambiente interior é um dos pontos fortes do Insignia OPC. Começa logo pelos bancos da Recaro, que têm um aspecto formidável e recebem o nosso corpo com o devido conforto – por 1750 euros, pode tê-los forrados a pele, com regulações eléctricas e aquecimento. O volante também é apelativo, mas desilude assim que as mãos dão conta das inserções em plástico prateado e da excessiva grossura do aro, tornando-o pouco ergonómico. E mal engrenar a 2ª, vai perceber duas coisas: que a caixa não é das melhores coisas do OPC e que o selector está demasiado recuado, obrigando o cotovelo a embirrar com o apoio de braços.

O dominante tom de negro, que é a forma da Opel assumir a austeridade que geralmente se associa aos carros alemães, acaba por ser vantajoso para manter a boa aparência do habitáculo. De resto, o OPC faz-se valer de tudo o que sempre foi bom no Insignia. É o caso da solidez da montagem e da habitabilidade desafogada.

VENHA O MAU TEMPO!
Geralmente, queremos sol quando por cá aparece um desportivo. Mas, desta vez, até estamos a torcer para que chova... É que, neste segmento, 325 cv para 1735 kg não é das relações peso/potência mais favoráveis – o Audi S4, por exemplo, tem 333 cv e pesa 1650 kg – e talvez o piso molhado sirva para expor as qualidades dinâmicas deste Opel de forma mais explícita. Ao longo da sessão fotográfica, com piso seco, o Insignia OPC mostra-se super-competente nas solicitações mais exigentes, mas esta é uma actuação que impressiona mais pela eficácia do que pelo sentido lúdico.

Tem tudo aquilo que faz falta num desportivo: o V6 turbo acelera com pujança e tem grito de guerreiro, o conjunto da Brembo trava bem e certinho, as suspensões pilotadas conseguem levar muita velocidade para as curvas e o sistema 4x4 não desperdiça um único cv à saída. E com o modo OPC ligado, a resposta ao acelerador é mais contundente e os amortecedores dão o tudo por tudo para impedir movimentos desnecessários da carroçaria.

O que lhe falta são aquelas doses ínfimas de agilidade e interactividade que fazem a diferença entre um bom desportivo e um excelente desportivo... E, já agora, uma caixa de jeito: cada passagem, de tão lenta, é um autêntico anti-clímax. A frente é muito obediente e resiste bastante à subviragem, mas uma vez iniciado o escorregamento é melhor aliviar o acelerador para manter a linha desejada.

Este comportamento é mais evidente nas zonas lentas, onde se sente o peso a castigar os pneus dianteiros, sem que o autoblocante traseiro consiga fazer alguma coisa para inverter esta tendência. Por isso, o melhor é não tentar exceder as capacidades do Insignia OPC na abordagem às curvas, até porque o forte dos 4x4 é a velocidade de saída e não a de entrada. Já nas secções mais rápidas, o equilíbrio e a tenacidade com que traça linhas fazem dele um desportivo facílimo de guiar, atingindo velocidades em curva que nos fazem crer que estamos mais próximos de atingir os nossos próprios limites do que os da máquina.

Entretanto, a chuva cai e o nosso prognóstico revela-se acertado. O Insignia OPC é formidável em piso molhado! Acima de tudo, é de um rigor milimétrico a delinear trajectórias, como se tivesse sido afinado propositadamente para rodar nestas condições. A confiança com que se ataca o acelerador, sem receios de ver a frente a invadir a faixa contrária, cresce a cada curva que passa. E, se houver espaço, até dá para abusar do acelerador para pôr a traseira numa deriva certinha, com os 325 cv a alinhar-nos para a recta seguinte. Isto sim, é eficácia.

 


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